
Não exagere na dose: guardar dinheiro de forma compulsiva e irracional pode sabotar a felicidade.
De cabeça para baixo. É assim, para render mais, que costumam ficar o bujão de gás e as canetas de uma senhora que também guarda o toco do palito de fósforo para tornar a acendê-lo, em caso de necessidade. Outra tem seu próprio guardanapo de papel, que é lavado e reaproveitado até que se desfaça em migalnhas.As duas são de classe média, estão aposentadas e em boa condição financeira. Mas tem dificuldade de gastar o dinheiro.Em graus extremos, isso pode virar avareza, uma doença que aflige muita gente, da mesma forma que a compulsão de poupar, outro tipo de transtorno,em geral disfarçado de virtude. Nesses tempos de crise, psicanalistas e consultores advertem:ambos os problemas vão surgir cada vez mais e com maior intensidade.
Por exemplo, no relacionamento dos casais.Desde outubro, foram fechados no Brasil cerca de 700mil postos de trabalho.Seis homens demitidos para cada mulher que perdeu o emprego, porque os piores cortes atingiram setores intensivos em mao- de obra masculina –automobilístico, construção ciivil,agropecuária, com exeção do varejo (onde os homens são apenas 29% dos dispensados).Isso significa, de acordo com a psicóloga Márcia Tolotti, que muitas mulheres estao se tornando chefes de familia e serão pressionadas a lançar mão de sua poupança para equilibrar o orçamento domestico.
Nessa hora, se ela sofrer de algum desses males associados ao entesouramento, pode se revelar inflexível e irracional. “Pessoas com esse perfil têm pânico de mexer no dinheiro. A poupança lhes garante segurança e equilíbrio emocional. Com o marido demitido, se ela precisar sacar,vai explodir um conflito”, diz Márcia. Na onda de austeridade,ela aposta que economizar vai virarmoda, e as poupadoras compulsivas ficarão socialmente aceitáveis - e visíveis. Os casos tendem a se multiplicar.