
Até o gato Merlim foi afetado pela turbulência que sacode a economia global. Indiretamente, é claro, desde que sua dona, a administradora Patricia Tong, 51anos, incluiu os gastos com banho, ração e veterinário dos bichanos da casa (Merlin e suzy) na planilha mensal de despesas. Planilha que ela já fazia antes de setembro de 2008, mês em que a crise norte-americana quebrou instituições financeiras, jogou para baixo os preços de imóveis e ações e se alastrou pelo mundo.Só que antes a planilha era diferente, sem os detalhamentos que a atual exibe na tela do computador.
-Diante dessa insegurança geral, decidi saber exatamentepara onde vai meu dinheiro argumenta a mãe de dois jovens que atuam numa empresa de mercado de capitais. Decisão que a fez tomar um susto logo no primeiro mês de contabilidade minunciosa, em outubro.Só os gastos com barzinhos e restaurantes totalizaram R$ 600 no item refeições fora de casa.
-É muito.Agora tenho me alimentado mais em casa, inclusive com ingredientes mais saudáveis. É melhor para o bolso e para a saúde – explica a moradora de Porto Alegre que garante nunca ter entrado no negativo nem ter precisado de empréstimo pessoal.
Esse “precisar”, aliás, faz toda a diferença na relação das mulheres com as finanças.
-A tirania da juventude eterna atinge muito mais as mulheres, e o mercado está sempre oferecendo soluções mágicas e rápidas.A mulher deveria deixar sua sensibilidade atuar mais para ser capaz de detectar o que realmente importa e se proteger dos gastos excessivos e desnecessários – ensina a psicanalista Márcia Tolotti.
Gastos que as mulheres fazem na maioria dos casos, no “piloto automático”.
-Há muitas que ainda não descobriram a relação das emoções como consumo,ainda não tiveram esse insight - garante a matemática Sandra Blanco.
Ao que tudo indica, não e o caso da dona Merlin.